terça-feira, 30 de setembro de 2003
domingo, 28 de setembro de 2003
A baixaria em doses homeopáticas é bem aceita pela pseudomoralidade brasileira. Foi preciso uma dose cavalar de repugnante sordidez para despertar-nos do profundo sono da passividade e da omissão eterna. E a gota d'água foi, na verdade, uma enxurrada, uma tempestade de granizo com ventos de cem por hora. A farsa do "seu Gugu" foi revelada, mas ele afirma peremptoriamente desconhecer a armação e - cínico e cara-de-pau - se diz perplexo e admirado diante do acontecido. A baixaria institucionalizada sempre foi - e ainda assim o é - a marca registrada dos programas desse medíocre apresentador. Bundas, sensacionalismo barato, sexo sugerido e insinuado (quando não explícito!), violência, fofocas, mesquinharia e futilidades, sempre foram sua tônica preferencial na busca de pontos de audiência e, conseqüentemente, da vitória na acirrada contenda dominical com o Faustão, da globO (outra bela porcaria televisiva).
Nego-me a narrar aqui o ignóbil fato gerador do rebuliço todo, você certamente já tomou conhecimento da grande palhaçada e de seus desdobramentos até então. Apenas me pergunto, e lhes pergunto também: até onde e até quando?
Até onde serão capazes de chegar estes déspotas da comunicação para alcançarem seus ordinários objetivos que se resumem em audiência e lucro? Será que esta latrina tem descarga? E quem dignar-se-á a puxá-la?
Até quando o estado permitirá que concessões públicas continuem prestando tamanho desserviço à sociedade, deseducando, alienando, vulgarizando valores que, a despeito da imensa dificuldade - pois disputamos com a mídia eletrônica o papel de educadores -, ainda tencionamos deixar de herança a nossos filhos, assim como os herdamos de nossos pais?
Eis aqui um caso que veio à tona. Quantas outras maquinações midiáticas adentraram em nossos lares indiscriminadamente e foram muito bem assimiladas por nossa ingênua alienação e incapacidade de questionamento? Deseducam-nos sem que nos demos conta; ou melhor, adestram-nos para o que melhor lhes convém. Somos violentados diariamente, sem que nos apercebamos, por novelas, telejornais, programas de auditório. Tornamo-nos deles dependentes e por eles somos corrompidos.
Toda concessão é passível de cassação. No caso específico, declaro aberta a temporada de cassa (os animais em questão, lamentavelmente, não estão em extinção).
P. S.: assistam à TVE, única resistência à baixaria institucionalizada. Uma emissora pública cumprindo brilhantemente o seu papel.
Nego-me a narrar aqui o ignóbil fato gerador do rebuliço todo, você certamente já tomou conhecimento da grande palhaçada e de seus desdobramentos até então. Apenas me pergunto, e lhes pergunto também: até onde e até quando?
Até onde serão capazes de chegar estes déspotas da comunicação para alcançarem seus ordinários objetivos que se resumem em audiência e lucro? Será que esta latrina tem descarga? E quem dignar-se-á a puxá-la?
Até quando o estado permitirá que concessões públicas continuem prestando tamanho desserviço à sociedade, deseducando, alienando, vulgarizando valores que, a despeito da imensa dificuldade - pois disputamos com a mídia eletrônica o papel de educadores -, ainda tencionamos deixar de herança a nossos filhos, assim como os herdamos de nossos pais?
Eis aqui um caso que veio à tona. Quantas outras maquinações midiáticas adentraram em nossos lares indiscriminadamente e foram muito bem assimiladas por nossa ingênua alienação e incapacidade de questionamento? Deseducam-nos sem que nos demos conta; ou melhor, adestram-nos para o que melhor lhes convém. Somos violentados diariamente, sem que nos apercebamos, por novelas, telejornais, programas de auditório. Tornamo-nos deles dependentes e por eles somos corrompidos.
Toda concessão é passível de cassação. No caso específico, declaro aberta a temporada de cassa (os animais em questão, lamentavelmente, não estão em extinção).
P. S.: assistam à TVE, única resistência à baixaria institucionalizada. Uma emissora pública cumprindo brilhantemente o seu papel.
sábado, 27 de setembro de 2003
quarta-feira, 24 de setembro de 2003
SEN-SA-CIO-NAL
Pedinte faminto bate à porta da casa da madame e esta vem atendê-lo:
- Por favor, madame, a senhora me conseguiria um pouquinho de comida?
- Pode ser de ontem?, pergunta-lhe ela.
- Claro!, responde com entusiasmo o pobre coitado.
- Então volte amanhã.
Haaa, ha, ha, ha, ha... Muito boa!!!!
segunda-feira, 22 de setembro de 2003
De súbito, quando menos esperamos, o passado vem à tona sob a forma de irrefutável presente. É inevitável, todos sabemos, mas não queríamos crer que ocorreria tal visita - a despeito de todas as evidências indicarem que, mais dia, menos dia, aconteceria. E vem trazendo consigo lembranças que equivocadamente supúnhamos esquecidas e varridas de nossa mente. Algumas boas, outras ruins; algumas maravilhosas, outras trágicas. Lembranças do passado que permanecem claras e nítidas em nosso íntimo e que, por mais que as ocultemos de nós mesmos, agitam-se freneticamente em nosso subconsciente e nos fazem ser o que somos hoje. Talvez não nos apercebamos disso, mas somos resultado concreto - e, por vezes, mal-acabado - do nosso passado, em síntese: somos produto de nossa própria trajetória de vida.
A distância entre o presente e o passado não é geográfica ou física, é metafísica e transcende a lógica com a qual estamos habituados a regrar nossas vidas. Assim como o ontem pode estar infinitamente distante do agora, o hoje pode estar intimamente ligado ao passado mais remoto que podemos imaginar. É ilógico, mas é real! O tempo é paradoxal. Não tentemos entendê-lo, sob pena de sermos engolidos por ele.
Quem viveu tem passado, e foi através dele, e não poderia ser de outra forma, que caminhou rumo ao presente. Estamos umbilicalmente ligados ao passado, tenha ele decorrido há dez minutos atrás ou há dez anos. É difícil admitir tal fraqueza, admitir a incapacidade de nos desvencilharmos de algo que supostamente já acabou. E é aí que reside o grande engano: o passado não acaba, no máximo passa. Ao entendermos e aceitarmos tal condição, sossegaremos e desistiremos da ingrata e dolorosa tarefa de negarmos e fugirmos de nossa história decorrida - seja ela uma surreal história kafkiana ou um belíssimo conto de fadas - e compreenderemos que não é demérito algum mantermo-nos ligados ao nosso passado, mas sim uma sublime virtude. Tal tentativa de fuga será sempre vã e infrutífera, haja vista que somos hoje o que fomos ontem, indiscutivelmente.
O passado visitou-o hoje? Parabéns, você viveu.
A distância entre o presente e o passado não é geográfica ou física, é metafísica e transcende a lógica com a qual estamos habituados a regrar nossas vidas. Assim como o ontem pode estar infinitamente distante do agora, o hoje pode estar intimamente ligado ao passado mais remoto que podemos imaginar. É ilógico, mas é real! O tempo é paradoxal. Não tentemos entendê-lo, sob pena de sermos engolidos por ele.
Quem viveu tem passado, e foi através dele, e não poderia ser de outra forma, que caminhou rumo ao presente. Estamos umbilicalmente ligados ao passado, tenha ele decorrido há dez minutos atrás ou há dez anos. É difícil admitir tal fraqueza, admitir a incapacidade de nos desvencilharmos de algo que supostamente já acabou. E é aí que reside o grande engano: o passado não acaba, no máximo passa. Ao entendermos e aceitarmos tal condição, sossegaremos e desistiremos da ingrata e dolorosa tarefa de negarmos e fugirmos de nossa história decorrida - seja ela uma surreal história kafkiana ou um belíssimo conto de fadas - e compreenderemos que não é demérito algum mantermo-nos ligados ao nosso passado, mas sim uma sublime virtude. Tal tentativa de fuga será sempre vã e infrutífera, haja vista que somos hoje o que fomos ontem, indiscutivelmente.
O passado visitou-o hoje? Parabéns, você viveu.
sábado, 20 de setembro de 2003
MOÇA DAS PULSEIRAS
O turvo ambiente te traz misteriosa
Oneroso enigma a ser desvendado
Tua aliada, a penumbra, te faz formosa
Em tua vida, o estigma do corpo (ab)usado
És mulher, és mãe, és amante
És esposa, concubina, namorada
És da vida! Pessoa sem regalias, despojada
És artista, dissimulas a dor lancinante
Exposta amiúde a tais mazelas
Restou de tão melancólica sina
Uma pálida rosa amarela
Murchaste e a cor não é mais aquela
A outrora imaculada, doce menina
Aparenta jamais ter sido donzela.
O turvo ambiente te traz misteriosa
Oneroso enigma a ser desvendado
Tua aliada, a penumbra, te faz formosa
Em tua vida, o estigma do corpo (ab)usado
És mulher, és mãe, és amante
És esposa, concubina, namorada
És da vida! Pessoa sem regalias, despojada
És artista, dissimulas a dor lancinante
Exposta amiúde a tais mazelas
Restou de tão melancólica sina
Uma pálida rosa amarela
Murchaste e a cor não é mais aquela
A outrora imaculada, doce menina
Aparenta jamais ter sido donzela.
quinta-feira, 18 de setembro de 2003
O preconceito é branco e preto, no máximo cinza.
É áspero, seco e ríspido.
O preconceito ninguém explica, apenas indiscriminadamente e lamentavelmente se aplica - e como!
O preconceito não possui autoria definida: é de um para com o outro e de outro para com o um.
É mútuo e vice-verso.
Polêmico e controverso.
É a prova cabal do quão baixa pode ser a alma humana.
O preconceito não tem alma, tampouco é humano: é desumano e desalmado.
É triste e lastimável.
Deplorável!
Branco?
Preto?
Rico?
Pobre?
Homem?
Mulher?
Homo?
Hetero?
Jovem?
Velho?
?
segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Inseri, hoje, uma seçãozinha de enquetes ali embaixo. A princípio, a título experimental, optei por uma perguntinha idiota com alternativas não menos idiotas. Participem para eu me certificar da relevância (ou não) da novidade. Futuramente virão questões mais apropriadas e polêmicas. Por enquanto, só um teste.
domingo, 14 de setembro de 2003
ESTATÍSTICAS
23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo excessivo de álcool. Isso significa que 77% dos acidentes são causados por pessoas que não consomem álcool em excesso, portanto...
JÁ PRO BUTECO!
sábado, 13 de setembro de 2003
ENQUANTO ISSO, NOS BASTIDORES DO PODER...
Papo às escondidas (dois tecnocratas neoliberais, pertencentes a quadros do alto escalão de governo de alguma nação latino-americana, discutem acerca dos problemas sociais de seu país).
- E então? O que faremos com os nossos pobres, que estão passando fome, sem escola, sem assistência médica nem social?
- Não esquenta, deixa a coisa rolar. Tudo há de se ajeitar. A nova onda, agora, é "criminalizar".
- Como assim!? Não entendi.
- Criminalizar, meu caro! Explico: o que faria você se estivesse na mesma situação em que se encontra o nosso povão? Desempregado, passando fome e desesperado.
- Se não houvesse jeito, seria capaz de roubar para sobreviver.
- Bingo!! Matou a charada.
- Matei!?!?
- Claro! Primeiramente, os deixamos à míngua, sempre fazendo uso da velha e surrada - mas sempre eficiente - desculpa de que é um problema conjuntural e que o mundo todo passa por dificuldades semelhantes.
- Tá, e daí?
- Daí, acreditando nisso, as pessoas acomodam-se em seus problemas até não os suportarem mais. O seu instinto de sobrevivência, inevitavelmente, os fará cometerem algum crime ou delito para que continuem vivos, sem falar que a mídia, nossa grande aliada, desperta nas pessoas novas necessidades - que até então não existiam - incitando-as a suprirem-nas de qualquer forma...
- ...e assim a justiça as coloca na cadeia! Genial, cara! Como não havia pensado nisso!
- Criminalizar, meu caro. É mais fácil e mais barato. E o povo gosta é de ver bandido na cadeia, sem se importar com os motivos que o levaram a cometer tal delito. Eles vibram com isso! Isso quando não preferem vê-lo morto.
- Mas não é imoral, não?
- É legal: basta! Roubou, vai em cana! Todos têm o dever de conhecer a lei e se cometem crimes serão punidos de acordo com os seus rigores. É a justiça posta em prática numa nação fartamente provida de eqüidade.
- É, tem razão.
Papo às escondidas (dois tecnocratas neoliberais, pertencentes a quadros do alto escalão de governo de alguma nação latino-americana, discutem acerca dos problemas sociais de seu país).
- E então? O que faremos com os nossos pobres, que estão passando fome, sem escola, sem assistência médica nem social?
- Não esquenta, deixa a coisa rolar. Tudo há de se ajeitar. A nova onda, agora, é "criminalizar".
- Como assim!? Não entendi.
- Criminalizar, meu caro! Explico: o que faria você se estivesse na mesma situação em que se encontra o nosso povão? Desempregado, passando fome e desesperado.
- Se não houvesse jeito, seria capaz de roubar para sobreviver.
- Bingo!! Matou a charada.
- Matei!?!?
- Claro! Primeiramente, os deixamos à míngua, sempre fazendo uso da velha e surrada - mas sempre eficiente - desculpa de que é um problema conjuntural e que o mundo todo passa por dificuldades semelhantes.
- Tá, e daí?
- Daí, acreditando nisso, as pessoas acomodam-se em seus problemas até não os suportarem mais. O seu instinto de sobrevivência, inevitavelmente, os fará cometerem algum crime ou delito para que continuem vivos, sem falar que a mídia, nossa grande aliada, desperta nas pessoas novas necessidades - que até então não existiam - incitando-as a suprirem-nas de qualquer forma...
- ...e assim a justiça as coloca na cadeia! Genial, cara! Como não havia pensado nisso!
- Criminalizar, meu caro. É mais fácil e mais barato. E o povo gosta é de ver bandido na cadeia, sem se importar com os motivos que o levaram a cometer tal delito. Eles vibram com isso! Isso quando não preferem vê-lo morto.
- Mas não é imoral, não?
- É legal: basta! Roubou, vai em cana! Todos têm o dever de conhecer a lei e se cometem crimes serão punidos de acordo com os seus rigores. É a justiça posta em prática numa nação fartamente provida de eqüidade.
- É, tem razão.
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
11 de setembro de 2001: apenas um magnífico ataque terrorista (o maior da história) ou o sinal claro de novos tempos?
Choramos e lamentamos a morte de cada pessoa envolvida naquele terrível ataque terrorista, mas eu, particularmente, não lamento e nem choro o ataque propriamente dito - o simbolismo do evento -, e mais ainda, o louvo como um marco histórico de mudanças profundas no cenário político-econômico mundial. Nada justificaria o sacrifício de tantas vidas, mas o sacrifício não foi em vão e talvez valha muitas outras vidas vindouras.
Desde aquele 11 de setembro fatídico, de cenas horripilantes e espetáculos dantescos, de perdas irreparáveis e dores imensuráveis, o mundo não é mais o mesmo e, principalmente, o império americano não é mais o que sempre fora ou aparentara ser até então. A potência intocável e imbatível sucumbiu à insana coragem daqueles que não conhecem o medo de morrer. Isso assusta qualquer um, quanto mais o poderoso império de Bush, sempre tão certo de sua onipotência nunca antes posta em dúvida, de cujo autoritarismo desmedido muita gente anda farta. Os EUA crêem que sua arrogância e prepotência encontram a tradução mais perfeita na palavra "onipotência", que sua opressão bárbara resume-se em poder absoluto e infinito.
Indiscutivelmente onipotentes: para matar de fome, para criar guerras ao seu bel prazer, para derrubar regimes democráticos e instaurar os mais truculentos regimes ditatoriais de que já se ouviu falar, para ditar regras econômicas a serem seguidas por todos os países sob pena de embargos e invasões injustificadas e absurdas, para criar vírus em laboratório a ser usado como arma biológica quando lhes for conveniente, para impor ao mundo uma moeda podre - sem lastro produtivo -, ícone de uma economia abstrata onde os cifrões são os déspotas que ditam as regras de mercado, para nos intoxicar com sua "descultura" alienante, para exterminar as culturas dos mais diversos povos, para exterminar os mais diversos povos, para patrocinar o genocídio mundial por meio da fome e da violência, para financiar o tráfico de drogas pelos quatro cantos da terra, inclusive sendo um dos seus maiores consumidores, dessa forma estimulando a sua produção permanente, para dominar sob o pretexto de "proteger", para criar uma tal de "bomba atômica" e testá-la na cabeça dos japoneses, para coisificar o homem, para desumanizar o ser, com a outorga de Deus (ou do diabo) cá na Terra.
Mas aí reside o grande equívoco: eles não são Deus na Terra, no máximo crêem ser. A onisciência lhes fez falta naquele dia. O império que tudo pode e tudo faz nem sempre tudo sabe, e não pôde e nem fez nada diante de tal surpresa. Dolorosa surpresa da qual muitos países já foram vítimas um dia, tendo por algozes cruéis o mesmo país que naquele dia 11 chorava copiosamente suas perdas e prometia retaliações desproporcionais e descabidas. Os papéis inverteram-se uma única vez e o império não gostou. Tal qual filho mimado de pai rico, bateu pé, chorou, esbravejou e partiu para o ataque indiscriminado a qualquer suposta ameaça à sua confortável posição de domínio absoluto. As regras não valem quando os papéis se invertem. Mas, saibam, saiu barato em comparação à impagável dívida de sangue e tristeza que o popular Tio Sam contraiu no decorrer das últimas seis décadas. Anos que passaram lentamente sob o jugo sufocante, esmagador e parasita de uma nação cuja tirania não conhece limites.
O tempo confirmará a minha suspeita de que aquele 11 de setembro foi o princípio do fim de uma era de barbárie pós-moderna estadunidense e a humanidade entenderá que o ato de terrorismo é inegavelmente inadmissível em qualquer hipótese, mas que o ocorrido, com certeza, plantou na Terra a semente de um mundo melhor. As estruturas abaladas tornaram-se frágeis e quebradiças, derrubemo-las e, dos escombros, ergamos os novos alicerces do mundo.
Choramos e lamentamos a morte de cada pessoa envolvida naquele terrível ataque terrorista, mas eu, particularmente, não lamento e nem choro o ataque propriamente dito - o simbolismo do evento -, e mais ainda, o louvo como um marco histórico de mudanças profundas no cenário político-econômico mundial. Nada justificaria o sacrifício de tantas vidas, mas o sacrifício não foi em vão e talvez valha muitas outras vidas vindouras.
Desde aquele 11 de setembro fatídico, de cenas horripilantes e espetáculos dantescos, de perdas irreparáveis e dores imensuráveis, o mundo não é mais o mesmo e, principalmente, o império americano não é mais o que sempre fora ou aparentara ser até então. A potência intocável e imbatível sucumbiu à insana coragem daqueles que não conhecem o medo de morrer. Isso assusta qualquer um, quanto mais o poderoso império de Bush, sempre tão certo de sua onipotência nunca antes posta em dúvida, de cujo autoritarismo desmedido muita gente anda farta. Os EUA crêem que sua arrogância e prepotência encontram a tradução mais perfeita na palavra "onipotência", que sua opressão bárbara resume-se em poder absoluto e infinito.
Indiscutivelmente onipotentes: para matar de fome, para criar guerras ao seu bel prazer, para derrubar regimes democráticos e instaurar os mais truculentos regimes ditatoriais de que já se ouviu falar, para ditar regras econômicas a serem seguidas por todos os países sob pena de embargos e invasões injustificadas e absurdas, para criar vírus em laboratório a ser usado como arma biológica quando lhes for conveniente, para impor ao mundo uma moeda podre - sem lastro produtivo -, ícone de uma economia abstrata onde os cifrões são os déspotas que ditam as regras de mercado, para nos intoxicar com sua "descultura" alienante, para exterminar as culturas dos mais diversos povos, para exterminar os mais diversos povos, para patrocinar o genocídio mundial por meio da fome e da violência, para financiar o tráfico de drogas pelos quatro cantos da terra, inclusive sendo um dos seus maiores consumidores, dessa forma estimulando a sua produção permanente, para dominar sob o pretexto de "proteger", para criar uma tal de "bomba atômica" e testá-la na cabeça dos japoneses, para coisificar o homem, para desumanizar o ser, com a outorga de Deus (ou do diabo) cá na Terra.
Mas aí reside o grande equívoco: eles não são Deus na Terra, no máximo crêem ser. A onisciência lhes fez falta naquele dia. O império que tudo pode e tudo faz nem sempre tudo sabe, e não pôde e nem fez nada diante de tal surpresa. Dolorosa surpresa da qual muitos países já foram vítimas um dia, tendo por algozes cruéis o mesmo país que naquele dia 11 chorava copiosamente suas perdas e prometia retaliações desproporcionais e descabidas. Os papéis inverteram-se uma única vez e o império não gostou. Tal qual filho mimado de pai rico, bateu pé, chorou, esbravejou e partiu para o ataque indiscriminado a qualquer suposta ameaça à sua confortável posição de domínio absoluto. As regras não valem quando os papéis se invertem. Mas, saibam, saiu barato em comparação à impagável dívida de sangue e tristeza que o popular Tio Sam contraiu no decorrer das últimas seis décadas. Anos que passaram lentamente sob o jugo sufocante, esmagador e parasita de uma nação cuja tirania não conhece limites.
O tempo confirmará a minha suspeita de que aquele 11 de setembro foi o princípio do fim de uma era de barbárie pós-moderna estadunidense e a humanidade entenderá que o ato de terrorismo é inegavelmente inadmissível em qualquer hipótese, mas que o ocorrido, com certeza, plantou na Terra a semente de um mundo melhor. As estruturas abaladas tornaram-se frágeis e quebradiças, derrubemo-las e, dos escombros, ergamos os novos alicerces do mundo.
segunda-feira, 8 de setembro de 2003
A madame devia pra todo mundo e não tinha condições de saldar as dívidas para com os seus credores. Só havia uma alternativa: penhorar suas jóias - valiosíssimas, por sinal. Dirigiu-se então à Caixa Federal e assim o fez. Qual o nome do filme??
O Penhor dos Anéis!!! Ha, ha, ha, ha, ha...
Dããããã, tá bom, tá bom, essa foi braba!!!!!!
Dia desses, disseram-me: "Não beba além da conta, cara!"
A questão é que eu nunca bebo além da conta. Meu consumo de álcool é restrito aos limites da conta, a não ser que o dono do buteco me sirva cerveja de graça.
Hoje, novamente, não beberei além da conta, já que pagarei a mesma, centavo por centavo.
domingo, 7 de setembro de 2003
ATENÇÃO!!!
Informação de suma importância à comunidade cervejeira: a nova Schincariol está realmente gostosa! Acreditem, não é pegadinha. Bastante relutante, tive a oportunidade de prová-la neste fim-de-semana e fui positivamente surpreendido pelo novo sabor da até então pior cerveja de que se ouvira falar. E com a considerável vantagem de ser mais barata do que as demais marcas. Tá certo, não é uma Boehmia ou uma Brahma Extra, mas está bebível e sem aquele horrível gosto de água suja que sempre foi sua marca registrada. Experimenta!
Não existe pensamento único, existe, sim, pensamento hegemônico, que se apropria da verdade e dissemina a epidemia do senso-comum. E lá vamos nós, povo, baixar a cerviz e seguir ao pé da letra a cartilha que nos é "gentilmente oferecida". Há um sem-número de maneiras de pensar uma mesma questão; uma delas, inevitavelmente, tornar-se-á preponderante e ostentará o estandarte da verdade incontestável. Cabe a nós - radicais, graças a Deus - questioná-la e confrontá-la com a realidade, demonstrando que sua irrefutabilidade é mentirosa e cínica. A verdade não é una, é múltipla. O senso-comum é majoritário, mas deixa de sê-lo ao derrubarmos sua máscara e escancararmos a sua insustentabilidade. Revela então sua face vil e mentirosa. A verdade não é monopólio do senso-comum, mas encontra-se democraticamente distribuída nos mais variados pensamentos, divergentes entre si. Na síntese destes, ela repousa soberana.
quarta-feira, 3 de setembro de 2003
No universo novelístico, ao telespectador não é permitido, em hipótese alguma, perguntas do tipo: "por quê?", "mas como?", "de que jeito?", etc. Observações perspicazes, tais como: "todos sabemos que é impossível!", "não há coerência!", "isso é um absurdo!", são inadmissíveis e não podem coexistir com o ato de assistir novelas, sob pena de anulá-las por completo. Se assim o fizermos, cairá por terra a "bendita". No mesmo instante em que algum telespectador mais atento - numa distração da alienação que o escraviza - faz a si mesmo algum desses questionamentos, escancara-se a inverossimilhança da história, a volatilidade do enredo e a pobreza da "dramaturgia". Novelas não foram concebidas com o intuito de nos fazer pensar, mas sim ao contrário: nos anestesiam e nos tornam totalmente insensíveis à realidade nua e crua da vida; nos acalentam sonhos impossíveis para que não tenhamos tempo nem coragem para lutar pelos sonhos possíveis. Entender a incoerência de uma dessas historietas das 8h é tão improvável quanto explicá-las, haja vista que a incoerência possui na sua essência a impossibilidade de entendimento, e que, ao explicarmos o inexplicável, o mesmo se extingue e, conseqüentemente, desfaz-se a novela. Não estrague tudo, seu chato! Não questione as novelas! Assista-as e aceite-as passivamente, elas já fazem parte da sua vida.
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