sábado, 30 de julho de 2005

PLÁGIO II

Rússia*
Monteiro Lobato

OUÇA (Interpretação livre de Antônio Abujamra)

Uma simples prisão na Rússia é a Sibéria.
Um chefe de estado, essa coisa tão simples, é um czar onipotente.
Uma estação do ano, uma simples estação do ano, é o inverno de 1813, com 600 mil homens de Napoleão congelados.
Um soldado, um simples soldado, é um cossaco do don.
Uma briga de rua, uma simples briga de rua, é o massacre da praça Niévski.
Um credo, qualquer coisa como religião, dessas que aparecem nos armazéns da periferia, dinamita o czar alexandre.

Sobre o autor:
Escritor,romancista e jornalista.Nasceu em Taubaté, São Paulo em 18/04/1882,e faleceu na capital de São Paulo em 4/07/1948.O livro “Urupês” foi publicado em 1918. Nesse livro cria "O Jeca Tatu".Dedicou-se à literatura infantil.Texto de "Barca de Gleyre"

*Surrupiado amigavelmente do site Provocações. Uma molecagem lúdica.

quarta-feira, 27 de julho de 2005



ESQUINAS

Sou fã incondicional das esquinas.
Só mesmo elas para quebrarem abruptamente, com um ímpeto de rebeldia todo próprio, aquela retidão hipócrita das ruas e calçadas das nossas vidas.
Elas são subversivas e, ao mesmo tempo, enigmáticas.
E há uma única forma de decifrá-las e entendê-las: rendendo-se ao seu misterioso ângulo reto e, heroicamente, enfrentando-as.
E cada vez que assim o fazemos, deixamo-nos levar pelo ímpeto transgressivo e imprevisível destas quebradas de caminho, destas corruptoras de rumos.
Nada, nem ninguém, ousaria antever as surpresas que nos esperam no reverso de uma esquina, somente elas, estas abstratas senhoras do destino, que se conhecem umas às outras com uma intimidade visceral e siamesa.
Deixando-nos inebriar por seus intrigantes encantos, conduzir-nos-ão, talvez, à pessoa amada, que faz o mesmo, mas no sentido inverso.
Servir-nos-iam, as esquinas, de cicerones, se assim as permitíssemos, por caminhos ora belíssimos e deslumbrantes, ora obscuros e hostis, destinos de nossas vidas.
Talvez, ao dobrarmos uma esquina infeliz, encontraríamos a bala perdida que nos foi reservada, imbuída de fúria e pólvora e incumbida de morte.
Reservam-nos boas e más surpresas as esquinas, encontro de duas vias que pode vir a tornar-se, repentinamente, o encontro de duas vidas, o desencontro de muitas vidas, ou mesmo o encontro da vida com o seu fatal e inevitável destino, a morte.

sábado, 23 de julho de 2005

PLÁGIO I

Pequeno Poema Didático*
Mário Quintana

OUÇA (Interpretação livre de Antônio Abujamra)

O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas, mas fica a árvore,

Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconseqüente conversa.

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre...

Todas as horas são extremas!

Sobre o autor:
Mário Quintana (1906 - 1994) nasceu em Alegrete - RS.
Pertencente à segunda geração do Modernismo, é chamado de poeta das coisas simples, despreocupado com a crítica. Em suas poesias percebe-se bom-humor e coloquialismo.
Foi um grande tradutor.

*Surrupiado amigavelmente do site Provocações. Uma molecagem lúdica.
PLÁGIO (mas nem tanto)

Lanço mão, hoje – e, daqui por diante, muitas vezes assim o farei –, desavergonhadamente, de um recurso um tanto quanto ardil e, de certa forma, desabonador, mas que julgo imprescindível e de inestimável valor para a divulgação e a proliferação da arte da prosa e da poesia, assim como de seus autores e poetas geniais. Por óbvio, assumo desde já toda e qualquer responsabilidade pela molecagem ora exposta cá neste humilde panfleto virtual.

Esclareço, já de antemão, que o plágio puro e simples – especialmente quando não citada a autoria e/ou a fonte – é de uma torpeza inominável, o quê, em hipótese alguma, seria eu capaz de realizar, haja vista que me resta, ainda, algum resquício de dignidade e amor próprio. Objetivo, sim, com este pseudoplágio, expor-lhes, sob a minha ótica particular, pequenas – na extensão, jamais no valor – obras literárias escolhidas, as quais julgo de inestimável valor e cujas belezas anseio por compartilhar com meus (minguados) leitores. Ou seja, uma vez que aferidas e selecionadas pela minha razão e sensibilidade (se possuo ou não méritos para tanto, já é outra história), no contexto deste folhetim, tais obras contêm um pouco de mim, fazendo-me, numa infinitesimal proporção, um pouco autor das mesmas.

No site do programa Provocações, da TV Cultura, conduzido primorosamente por Antônio Abujamra, encontram-se diversos links para declamações (arquivos .wma) de belíssimos textos e poemas, feitas magistralmente por Abu (forma de tratamento dada pelos mais íntimos ao apresentador) em seu programa. Linká-los-ei aqui, neste blog errante, mas sempre considerando os justos méritos aos respectivos autores e à inigualável interpretação de Antônio Abujamra. As declamações de Abujamra são perfeitas e escancaram-nos, a olhos vistos, a beleza dos textos, despertando-nos uma deliciosa curiosidade por conhecer mais a fundo seus geniais autores, assim como todo o restante de suas obras.

Espero não ser processado por almejar, quixotescamente, a divulgação máxima e sem fronteiras da arte e da cultura, alimento da alma e das cabeças revolucionárias.

Em se tratando de Brasil, não é de se duvidar, mas, sinceramente, não creio.

No post seguinte, o primeiro plágio.

terça-feira, 19 de julho de 2005

JUSTO, MUITO JUSTO, JUSTÍSSIMO...

Pois o ultramegasuperempresáriopublicitárioexecutivo Roberto Justus, em seu programinha babaca, O Aprendiz, todas as terças e quintas-feiras, enquanto desfila sua inigualável soberba e alimenta a sua vaidade insaciável, executa sumariamente um de seus pupilos imbecis, demitindo-o. Contribui, assim, o pseudocosmopolita, com o aumento do desemprego no país, que vem se tornando cada vez mais elevado, conforme as estatísticas que se apresentam diariamente nos noticiários. Onde anda a responsabilidade social do Sr. Topete Imexível? Te cuida, Justus! As ações trabalhistas, diante de tantas demissões sem justa causa, bater-te-ão à porta em breve, e serão ações milionárias, que te arrancarão até mesmo a verba do laquê importado. Que feio! Um cidadão tão "justus" enrolando os pés com a justiça...

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Tranqüilizem-se, eu ainda respiro! A despeito da minha exígua produção literária de então – se é que, nalgum momento, pôde-se classificar de "literário" algo que eu tenha escrito – encontra-se ainda latente dentro de mim esse anseio desmedido e um tanto quanto irracional por escrever, ainda que mal-traçadas e descabidas como essas que se lhes apresentam. Aguardem-me.

terça-feira, 5 de julho de 2005

"Desculpe-me, eu só estava brincando!"

Atentem, caríssimos, para o fato de que se pode ofender, brincando; pode-se magoar, brincando; pode-se humilhar, brincando. E quem faz uso deste vil artifício, com o pretexto de brincar, fere, agride e machuca covardemente, pois não permite ao oponente a mínima possibilidade de reação, uma vez que "só estava brincando".

E como tem gente assim!!
NOSSO HERÓI

Na minha modesta opinião, no que tange o atribulado momento político que vive hoje o país, o nosso "ilustríssimo" deputado Roberto Jefferson, com o aval da mídia tendenciosa e maliciosa, surrupiou a fotografia da realidade, substituindo-a pelo seu negativo. Inverteram-se os papéis: o acusado virou, de súbito, acusador!

Há que se ter muita cautela ao se lidar com situações delicadas como as que ora presenciamos para que não se cometa nenhuma injustiça com quem quer que seja. As providências necessárias devem ser norteadas pela precaução e seriedade. O oba-oba da mídia está, no meu ponto de vista, demasiadamente carnavalesco. E assim se vai vendendo jornais e revistas aos borbotões.

Parece-me que há muita coisa ao avesso em meio a este espetáculo todo. Quem seria o herói, e quem, o bandido? Não sei. Mas depois do episódio "Ibsen Pinheiro", reservo-me o direito de assumir o papel de reticente espectador até à conclusão do soneto – e, espero, sem emendas a remendá-lo.

Triste a pátria cujos heróis somente assim o são por denunciarem seus iguais.

P.S.: Essa mesma mídia maledicente que hoje se alvoroça euforicamente com seus denuncismos vazios, noutros tempos, estranhamente, silenciou-se em casos de grande relevância para o país, tais como: o caso SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), as privatizações (Telebrás, Vale do Rio Doce, Embraer, etc...), a suposta compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional), entre outras tantas negociatas que dilaceraram a nossa já então agonizante soberania.

sábado, 2 de julho de 2005

DIÁLOGOS CAPTADOS

- Então tu és ateu?
- Isso mesmo.
- Não acreditas mesmo em Deus?
- Claro que não! Deus me livre!!