sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ANTIPOETA

Não sei por que escrevo
Sinceramente, nem gosto tanto assim de fazê-lo...
Escrever dói, cansa, agride por dentro
Faz refletir, e o que vemos, invariavelmente, não nos agrada
O que realmente me fascina neste solitário ofício é o seu fim!
Seu derradeiro momento, seu adeus - ainda que temporário
Ah... Concluir um escrito! É o êxtase infinito!
Relê-lo tão-logo o tenha terminado
E não realizar reparo algum, posto que desnecessário!
Pronto, completo e acabado
Palavra por palavra, verso por verso, ponto final
Finda a tortura
É hora do gozo - não o de escrever!
Mas o de não ter mais de escrever por algum tempo
Neste ínterim entre um e outro escrito jaz o meu prazer de escrever.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

PROMESSA É DÍVIDA

Já sei! Estou-lhes devendo o top five Bionicão. Ele virá, em breve - acreditem! Apenas estamos passando por uma fasezinha tinhosa de mau-funcionamento dos equipamentos - mais especificamente no conjunto dos centros nervosos deste que aleatoriamente cá escreve -, mas que logo (espero!) será de todo superada.

SORRISO POSTIÇO

Abstraiam do meu rosto esse sorriso postiço – partícula fingida! – e estarei decifrado.

POETA FOLGADO

Nasci para o ócio
Que baita negócio!
Sem chefe nem sócio
Vadiagem congênita
Meu vício e ofício

Que posso eu fazer
Se o meu proceder
Não cheira a virtude?
O que se há de fazer?
Eu fiz o que pude

Roubar não me apraz
Nem gozo de posses
Tanto quanto pensas
Viver a expensas?
Perfeito! De quem?!
Neste vai-e-vem
Tornei-me poeta!

Perdoa este errante
Sem norte nem meta
Avesso ao labor
Operário do verso
Poeta do amor
Poeta da dor
Poeta, portanto
De todo o universo.

IMINÊNCIA

O fardo está, a cada dia, mais pesado. Não sei se ele tornou-se realmente maior ou eu é que estou esgotado de tanto suportá-lo, só sei que me doem os ombros e pressinto, logo ali, o insuportável.

sábado, 17 de janeiro de 2009

ABORRECIMENTO

Há circunstâncias da vida que nos exigem uma boa cerveja gelada e um verdadeiro amigo - não necessariamente personificados em dois seres distintos (a cerveja é, também, uma grande amiga). Nada além disso. Posteriormente, embriagado de amizade e acolhido calorosamente pelo álcool - ambos já totalmente a par da situação -, pensa-se no resto e tomam-se as devidas providências.

Vou ao encontro deles - no caso, dois seres distintos!

O INFERNO É AQUI

Não te iludas
O inferno é aqui!

O odor fétido que sentes, vez por outra
Morno, denso e nauseabundo
Exalando angústia e aflição
Nada mais é que o hálito do diabo
Que aspiras com sofreguidão (ingenuidade e fé)
No compasso da mais pueril oração

Não te iludas
O inferno é aqui!

E estes urros lancinantes
De graves e agudos dissonantes
Que te vêm, amiudados
E rebentam teus ouvidos
São conselhos do diabo
De satânica sapiência:
"Não pratiques a oração
Nem, tampouco, boa-ação
Que de nada valerão
Pois o inferno é aqui!"

Não te iludas
O inferno é aqui!

E este peso opressivo sobre os ombros
Este gelo que atravessa o coração
Este abraço de tantos braços, que imobiliza e sufoca
Esta sombra que te vela noite adentro
É o olhar oculto do diabo (a fagulha no breu)
Derramando-se sobre ti
Real e cru
Embora o suponhas, não o crês

Não te iludas
O inferno é aqui!

E as dores
Os rancores
Desamores
Despudores
Maus-humores
E as dores
E as dores!?
É o inferno, ou não, aqui?

Não te iludas
O inferno está em ti!

domingo, 11 de janeiro de 2009

DA AGENDA...

Minhas resoluções (vide post sob o título AMENIDADES, de oito de janeiro), impregnadas de disciplina auto-imposta, estão surtindo seus primeiros e satisfatórios efeitos.

Dia desses, derribou-se em minha frente, despencada de sei-lá-onde, uma idéia interessante que considerei digna de registro cá no blog. Anotei-a, de pronto (isso mesmo, naquela pertinente agenda de 2006).

A idéia: primeiramente, revisitarei o Bionicão desde os primórdios até o momento atual. Relê-lo-ei de rabo a cabo, como convém, e selecionarei os cinco melhores posts - segundo critérios rigidamente pessoais, egocêntricos e previamente imunes a qualquer sorte de contestação - e os disponibilizarei, via links, para degustação geral. Fica, desde já, despoticamente estabelecido que o resultado é irrecorrível, porém plenamente passível de protestos, reclamações, xingamentos e vociferações coléricas que serão consideradas, sem, no entanto, alterarem o resultado. Acho que vai ser legal! Aguardem o post. Inicio, agora, a longa e prazerosa (re)leitura do Bionicão.

P. S.: mais dois verbetes arrolados: HEDONISMO (o prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral), EPIFANIA (aparecimento ou manifestação reveladora de Deus ou de uma divindade)*.

*As definições dos verbetes arrolados são um oferecimento de Houaiss 1.0, o seu dicionário eletrônico da língua portuguesa!

sábado, 10 de janeiro de 2009

DAQUI A NÃO MUITOS ANOS...

- Quanto ficou, moça?
- Dezenove e noventa e sete. Dinheiro ou cartão?
- Deixa ver... quinze, dezessete, dezenove... vinte! Dinheiro.
- Desculpe, pode ser um pen drive de troco?
- Ah, não!! Pen drive, não! Me vê, então, uma daquelas balinhas de menta. Meu filho adora!

TIRA

A tira acima foi devidamente "aglutinada" para se enquadrar
nas regras de publicação de imagens impostas pelo Blogger
(no máximo 400px de largura, sob pena de ser automaticamente redimensionada).

Tira de Rafael Sica. Conheça mais sobre o seu trabalho visitando o seu blog. Inegavelmente um grande artista! Seu humor de viés ora ferino, ora nonsense, fascina e intriga. Imperdível!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

AMENIDADES

Estou resgatando, hoje, numa insólita tentativa de desvencilhar-me da apatia criativa em que me encontro, uma prática que, noutros tempos, fora-me relativamente existosa no que tange ao penoso, porém plenamente recompensador, ofício de escrever e a sazonalidade com que se apresenta, para o escritor, o entusiasmo criador. Assusta-me o abatimento literário que me tomou por morada. Neste desconfortável ensejo, retomei minhas anotações e apontamentos - sempre à caneta, nas páginas de uma velha agenda dos idos 2006, que jamais exerceu a função para a qual foi originalmente concebida -, que, a princípio, irrompem aleatórios e desconexos, mas que, num segundo e providencial momento, revelam-se valiosos pontos de partida de muitos escritos.

Na referida agenda, rabisco versos avulsos, rascunho idéias absurdas e repentinas, transcrevo sonhos - e pesadelos! -, registro diálogos inusitados e curiosos que brotam, aos borbotões, do cotidiano e, essencialmente, arrolo toda sorte de verbetes que me causam estranhamento durante as minhas leituras e que reputo de grande valia para eventuais futuros escritos.

O dia de hoje rendeu-me três preciosos verbetes, pinçados de leituras diversas, que, por um motivo ou outro, chamaram-me a atenção, e, prontamente, dispus-me a anotá-los:

JANOTA (que ou quem se mostra afetado no vestir), JOCOSO (que provoca o riso; engraçado, divertido, cômico) e IMPOLUTO (não poluído, que tem ou revela dignidade ou elevação de caráter; honesto, virtuoso). Pretendo passar a utilizá-los, com moderada freqüência, sempre que couber, manifestando solene respeito às suas respectivas acepções.

Creio que estas primeiras notas irão-me auxiliar muito em mais esta batalha em busca das letras perdidas.

Era isso!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

COTIDIANO

Bons e saudosos tempos, aqueles, em que o cotidiano supria-me diariamente com uma infinidade de assuntos e episódios épicos, e eu os punha prontamente cá no blog, compartilhando-os generosamente com a minha rarefeita massa de leitores. Hoje, o cotidiano não me diz nada, tampouco me inspira a dizer algo. O meu cotidiano é ele só, banal e prosaico, sem o inusitado a instigar-lhe os ânimos dormentes. Não produz mais frutos, esterilizou-se.

Opa!!! Espera lá! Estou vendo, lá no galho mais alto, vergando-o de quase quebrá-lo! Que belo fruto! Suculento e promissor, imagino-o. Suponho-no maduro, pronto para ser devorado. Colhê-lo-ei* já!

* uma bela mesóclise é sempre um bom recomeço!