domingo, 28 de julho de 2013

ENLATADOS E BEST-SELLERS

Sei lá, vejo tantos encherem a boca para anunciar, orgulhosos, que consideram uma heresia assistir a filmes dublados, posto que a dublagem, segundo os tais, conspurca a originalidade do filme, contudo, flagro esses mesmos eruditos da sétima arte reverenciando enlatados estadunidenses de qualidade pra lá de suspeita.

Não sou cinéfilo - sinto-me mais à vontade vagando no terreno das letras - mas ouso criar uma despretensiosa analogia entre o cinema e a literatura: acho que assistir a enlatados americanos de baixíssimo nível e, em favor da legenda, maldizer a sua dublagem, é o mesmo que, no campo literário, ler um Sidney Sheldon, ou coisa ruim que o valha, e reclamar da tradução precária. Não há o que se preservar nos filmes-clichê americanos - que servem apenas como poderoso instrumento de aculturação das nações subservientes, entre elas o Brasil -, tampouco uma primorosa tradução elevará a qualidade literária de um infame best-seller.

Nesses casos, a dublagem tosca e mutiladora e a tradução malfeita e sem critérios até colaboram com a não propagação integral desse lixo que há décadas vendem-nos por arte.

Deem-me licença, agora, pois vou assistir a um filmezinho no DVD: Velozes e Furiosos 6 – dublado!

Um comentário:

ronald augusto disse...

leonardo, um prazer conhecê-lo. seus poemas têm um sabor pessoano, o que faz pensar no conceito de logopeia para tentar descrevê-los. ao mesmo tempo eles destoam da prática poética atual, o que pra mim é uma vantagem. só gostaria de lhe sugerir uma coisa: repense a questão do "poema sobre o poema", o metapoema, o poeta voltado para o seu ofício, etc. não digo que isso tenha de ser banido de seus interesses, mas apenas experimente evitar, por enquanto, esse "assunto" tão banalizado. é isso. um abraço!

ronald