segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CRIME E CASTIGO


A releitura do clássico de Dostoiévski Crime e Castigo - cujo encerramento deu-se esta semana -, confesso, não me tocou como há quinze anos, quando, pela primeira vez, sofri as angústias e vivi os dilemas de Raskolnikóv, personagem principal da obra. Embora magnificamente traduzido diretamente do russo pelo competentíssimo Paulo Bezerra (livre, portanto, dos pecados e mutilações típicas das “traduções de traduções”), esse segundo contato deitou-me na boca um aborrecido gosto de déjà-vu. Não que a envergadura e o peso de um dos maiores clássicos da literatura universal tenha sumariamente se dispersado ante a apreciação deste desqualificado leitor que ora rabisca estas linhas - Crime e Castigo, juntamente com O Vermelho e o Negro, de Stendhal, e O Processo, de Kafka, permanece entre os livros de minha vida, talvez com maior merecimento ainda após a reincursão -, apenas afirmo que as cores, para mim, não brilharam tão vivas como da primeira feita. Será que relê-lo foi o crime e estranhá-lo, o castigo. Ou será esse estranhamento a senha para mergulhar, agora com ineditismo, nas páginas de O Idiota, do mesmo Dostoiévski, que há tempos me desafia calado na estante, preterido em nome desta pretensiosa releitura? A despeito do sabor repetido, sempre recomendo infinitas releituras dos clássicos, pois nunca se é o mesmo após fazê-lo.

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